Lifestyle

Ele, ela e o casaco

sexta-feira, 17 de março de 2017

Tudo a viver dias de calor extremo, roupa fresca e esvoaçante no corpo, sandálias nos pés e a aproveitar cada fim de semana como se fosse definitivamente o último dia de praia possível no ano e andava eu, uns meses à frente a imaginar como seriam vividos os dias de frio, a dois.

Couple Stories, remember? (aqui)

Quem me conhece, sabe perfeitamente a loucura que foi quando recebi o meu primeiro casaco da Embrace Inc. - de uma colecção muito especial com um significado cheio de força - "ROW", foi o nome escolhido pela marca para aquele modelo. E recebi, não por patrocínio ou colaboração, mas sim pelas mãos de alguém que partilha a vida comigo. Alguém que me conhece tão bem, que sabe que valorizo as surpresas inesperadas. Datas especiais somos nós que as fazemos.
Mas afinal o que é isto de partilhar uma vida comigo?

Bem, acho que posso contar uma breve história.
Não é fácil encontrar alguém disposto a isto, disposto a querer conhecer o meu verdadeiro "EU", a minha alma.

São maravilhosos os primeiros dias, meses até, quando duas pessoas se conhecem. É o encanto, o frio na barriga, o despertar das borboletas no estômago, as horas de sono reduzidas, a descoberta dos gostos comuns, é a paixão a acontecer. Um autêntico conto de fadas.
Até que surge a amor. O amor é outra coisa! O amor tem dois lados, tal como a vida: o bom e o mau.
Risadas, beijos à chuva, abraços apertados, silêncio no pôr-do-sol - tão bom :)
Chatices, lágrimas, saudades, dor - tão mau :(


A verdade é que já não se fazem amores como os de antigamente. Daqueles amores que nos fazem tomar as dores do outro, que nos fazem dar a volta ao mundo por um simples olhar de felicidade, que nos fazem acordar mais cedo para partilhar o pequeno almoço porque o outro é o primeiro a sair de casa, que nos fazem acordar vezes sem conta quando o outro está doente, que nos fazem tremer de cima a baixo sempre que alguma coisa menos positiva acontece, que nos continua a tirar fôlego quando chega a hora de regressar a casa, que nos faz enfrentar medos e fobias em prol da realização de um sonho do outro.

O amor é pintado de "cor-de-rosa", mas o "cor-de-rosa" não é a cor preferida de toda a gente. Assumir que somos capazes de nos adaptar ao mundo do outro, aos olhos desta nossa actual sociedade, é sinal de submissão. As pessoas têm vergonha de assumir que estão apaixonadas e que são capazes de se moldar para viver uma vida em comum. Isto não significa que temos que nos anular enquanto pessoas, muito pelo contrário, só mostra a grande capacidade que temos em ser flexíveis, de nos conseguirmos colocar do outro lado, que somos pessoas de bom senso.

O sol é maravilhoso mas também queima se não tivermos cuidado, as flores são lindas mas também podem causar alergias, um mergulho no mar é extraordinário mas também se pode tornar traiçoeiro. E o amor?
O amor é outra coisa!


Ninguém conhece ninguém, até ao aparecimento da primeira tempestade, dos primeiros raios de trovoada, da primeira prova de fogo - daquelas que nos deixam atordoados e desnorteados, das horas de aperto e aflição.
É aqui que descobrimos que se trata de amor. Um amor que enfrenta a tempestade connosco, que nos mostra que a trovoada não passa de um fenómeno da natureza, que nos mostra o sentido certo e nos orienta como uma bússola, que deposita no nosso peito o alívio e a confiança de que vai passar e correr bem.
Quando tudo parece virado do avesso, há a pessoa certa a cuidar de tudo.

E foi por irmos juntos ao chão que aprendemos das lições mais importantes da vida:
1) o amor é o maior super poder que existe. É o sentimento mais certo. Consegue transformar o que está errado em absolutamente certo, mesmo que para isso seja preciso passar pelo pior para depois chegar ao melhor;
2) ser feliz. Primeiro a minha felicidade, depois a tua e a nossa é garantida.

Soubeste encontrar o melhor de mim e ficaste disposto a conhecer o pior de mim.
Por isso gosto tanto da vida ao teu lado, das nossas rotinas, das nossas escolhas, das nossas quedas, dos nossos atritos e gosto mais ainda desta nossa vontade de nos querermos cuidar e proteger um ao outro.
Sei perfeitamente, sem qualquer ponta de dúvida que fui feliz sem ti, mas que sou muito mais feliz contigo. 

É a minha vez. E porque te conheço tão bem como tu me conheces sei que também valorizas as surpresas inesperadas.


Não tenho como descrever o meu êxtase quando decidi idealizar um casaco feito, única e exclusivamente para ti. Sem restrições, com total liberdade de transformar o imaginário em real.

Não sabia bem como mas tinha a certeza que seria perfeito.
Queria tudo mas ao mesmo tempo sabia que tinha que respeitar o teu lado mais reservado.
Tinha que existir um equilíbrio entre uma linha mais simples e clean e uma linha mais ousada e extravagante.

Foi bem mais fácil do que imaginei, porque tinha do meu lado o profissionalismo da marca que preza pela qualidade e conforto de cada cliente. Bastaram 15 minutos no máximo de conversa para chegarmos a uma conclusão.
Depois, foi só depositar TOTAL confiança no trabalho a desenvolver. Deixei o desafio do lado de lá.

O resultado final foi mais-que-perfeito. Ultra cómodo, uma qualidade espectacular, materiais suaves, cores a encaixar com o tom de pele e olhos (muito glaciar), detalhes perfeitos e precisos. Tudo super original, muito giro e com o máximo respeito pela tua personalidade mais reservada.
Encontrar um compromisso entre o clássico e o moderno, com detalhes especiais para fugir ao igual a todos os outros. O entusiasmo e a euforia era tal que aquilo que parecia missão impossível tornou-se na concretização de mais uma peça carregada de história e energia.

Quando fui fazer a prova do casaco, assentou que nem uma luva em mim, o que me deixou ainda num estado mais eufórico. Até o casaco vamos partilhar - eheheh :) Eu quero, ele não me deixa!


É apenas um casaco? Não valem mais os gestos diários do que os bens materiais? Mas quem disse que os gestos não fazem já parte? O casaco - com ENORME significado - vem complementar a partilha de uma vida, nem sempre fácil, em comum.

Não acredito no "para sempre", muito menos no "eterno", mas acredito e muito que nada é por acaso.

O amor é outra coisa!


P.S: Ainda tentei que ele fosse meu modelo por um dia, mas não consigo arrancar dele o lado reservado e discreto que insiste em preservar.

Casaco exclusivo Embrace Inc.
Modelo Filipe Pereira
Styling Nuno Magalhães
Colaboração fotografia César Martins

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